Sobre o BULLYING, e pelo tema epigráfico que devo à
Lua:
O termo BULLYING compreende todas as formas de agressão.
do Lat. Aggressione
s. f.,
acção de agredir;
ataque, investida.
Geralmente este bullying é exercido no ambiente escolar, embora também o exista no local de trabalho, embora sob outra designação, nomeadamente assédio moral – o bullying dos adultos-mas todos eles são uma forma de violência, independentemente da gravidade e extensão do problema, muitas vezes camuflada e abafada, quer pelos autores quer pelas vítimas.
Por onde começo?
Vamos pelo local de trabalho e depois regredimos à escola. Tenho uma colega que é uma besta e que tem para comigo uma conduta tão negativa que tem contribuído para uma relação degradada das condições de trabalho. Ela arma-se em superior, respondendo com combatividade e hostilidade sempre que é alertada para alguma situação, não me dirige a palavra nem para dar os bons dias, arma-se aos cucos e tenta menosprezar-me, chegando até a prejudicar o meu trabalho directamente. A situação é duradoura e de tolerância zero, não comunicamos a não ser no estritamente necessário, por via da necessidade profissional e nada que o patrão não saiba. Já denunciei a situação, constrangedora e geradora de mau estar mas de nada valeu. Não houve intervenção efectiva por quem de direito para repor a normalidade da situação e vejo-me forçada a gramar com esta merda, tentando superar a mesma com uns nervos de aço e uma atitude cagativa adequada. Tenho aguentado esta situação sob pena de um dia me passar da marmita e lhe ir à cara de vez! Costumo dizer que ma maior parte dos casos, once a besta always a besta. Embora o meu seja diferente , como relata a experiência que se segue:
Sobre os verdes anos…Sempre fui uma criança solitária (filha única hiper protegida e com deficiência de relações interpessoais até aos 6 anos), com actividades muito individualistas por estar isolada de brincadeiras com outras crianças de igual idade, o que contribuiu para uma fraca integração social.
A primeira vez que fui para o jardim escola, pré primária, tinha pois 6 anos. Tive de aprender a desenvolver a minha sociabilidade e interacção com outras crianças e no início não foi nada fácil.
Lembro me de que não sabia brincar e que por via disso não tinha amigos, o que por si só é logo o factor x para se ser uma vítima. Fui mordida inúmeras vezes por um miúdo chamado Mário, o que suscitou reuniões com a Direcção e com os pais do puto armado em Pitt Bull.
Primeira classe, num dos colégios mais severos de Lisboa, a nível disciplinar, não aumentou nem a minha popularidade com os colegas ou a minha auto estima, nem diminuiu os ataques de bullying por parte dos xicos espertos rufias da época, a não ser em termos físicos. Já não chegava mordida a casa, mas chegava sempre sem muito do material que fazia inveja (dos Estados Unidos, trazido pelo avô ou pelos pais das suas viagens bi-anuais) e que na altura nenhum dos outros miúdos tinha… Roubavam-me tudo porque era parva e deixava, nunca me defendia nem me queixava e depois só chorava em casa. Sempre dependente dos pais, e à espera que estes resolvessem os meus problemas, era extremamente dependente e mimada.
Nunca fui materialmente egoísta e gostava inclusive de partilhar o que tinha porque era a única forma de gostarem de mim. Era pouco participativa e muito introvertida, cheguei a ter problemas de aprendizagem na primeira classe. Despertei muito tarde para a convivência social, depois com o passar dos anos lá me adaptei e na quarta classe já era mais respeitada, mas nunca consegui ser espevitada ao ponto de ser admirada pelos pares.
Com o início do 5º ano e com a mudança de colégio, consegui adquirir a capacidade de lentamente me ir integrando no grupo dos fixes pelo número de maluqueiras que fazia e no 8º ano deu-se a revolta: eu-euzinha andei a atormentar uma miúda da nossa turma que era uma queque e que usava saias até debaixo do joelho, o que era inaceitável! Os pais dela foram se queixar e eu levei um castigo daqueles!
No 9º ano por ajuste de contas com uma miúda que sacou o namorado bonzão de uma do nosso ano, fiz parte de uma comissão de humilhação pública da rapariga. Despejamos-lhe coca cola na cabeça, pusemos lhe papel higiénico e outros enxovalhos. Envergonho me muito disso, mas na altura não se pensa nas coisas, fazemos tudo para sermos fixes e populares, sem medir muito consequências. Sou um caso de vítima que se tornou agressora. Utilizando a arma como instrumento de superação do poder que dantes a subjugava. (Freud explica).
No 10º ano nova troca de colégio já tinha aprimorado o meu lado social (ou anti-social) e tinha já muitos amigos, passei a ser popular por ser anti-popular, por fugir do padrão normativo: do contra, rebelde, do grupo dos maus…os maus que são odiados e admirados ao mesmo tempo. Continuei a ser dos maus até aos 25 anos.
Tornei me mazinha mesmo, ao ponto cruel mesmo in a bat-shit crazy twisted way.
a fucking little miss world venenosa e triste in a delusional self hurting way. Eu e minha
alma gémea. dos 18 aos 25 evoluímos como cobras em cativeiro, alimentadas por diversos factores negativos e impulsos inconscientes.
Refinei o egoísmo e extremei o que havia de pior em mim como o melhor que sabia fazer, potenciando inclusive os comportamentos de risco -absentismo escolar, uso de álcool e drogas, actos de cabrice pura e comportamento delinquente- muito por causa dos conflitos com o agregado familiar e deveras por inconsciência real misturado à grande e à bruta com ego-centrismo, o egoísmo extremado. Penso que sem me aperceber fui concerteza da altura dos píncaros de adolescência até aos anos do declínio muito má para muita gente, e hoje olho para trás e penso nos danos que terei causado a alguma dessas pessoas…Mas eu não o sabia inteligivelmente à data, era muito imatura e ignorante, e estava muito mal, lá no fundo. O exercício persistente e continuado de bullying é revelador de um enorme mal-estar interno. O autor de bullying vê a violência como uma forma de alcançar poder. A única forma de poder.
I’ve come a long way from that. Felizmente acordei para o mundo real a tempo e tornei me numa pessoa de que gosto verdadeiramente, que respeita e não magoa os outros, que não os agride e que actualmente às vezes sofre por demais por não o fazer, mas que não pode por ter uma consciência tão grande que açambarca tudo. Onde dantes havia desprezo, agora há consideração, por vezes até a mais. Confuso? A história da minha vida, em resumo, que em fascículos só uma super edição da Planeta AGOSTINI que ninguém vai editar. reflexão psicanalítica : Um gajo é um ser muito complexo…
Toda forma, resumindo e baralhando, e voltando a dar, creio que os casos de Bullying (nas escolas públicas ou privadas, is just the same a única distinção é o tipo) são e serão sempre muito elevados. Cada vez mais, numa sociedade de puro consumismo abundante e muito egoísmo social à solta. Em Portugal ainda não se presta, infelizmente, muita atenção a este fenómeno.