marți, februarie 26, 2008

Footprints

Sobre o BULLYING, e pelo tema epigráfico que devo à Lua:
O termo BULLYING compreende todas as formas de agressão. do Lat. Aggressione s. f., acção de agredir; ataque, investida. Geralmente este bullying é exercido no ambiente escolar, embora também o exista no local de trabalho, embora sob outra designação, nomeadamente assédio moral – o bullying dos adultos-mas todos eles são uma forma de violência, independentemente da gravidade e extensão do problema, muitas vezes camuflada e abafada, quer pelos autores quer pelas vítimas. Por onde começo? Vamos pelo local de trabalho e depois regredimos à escola. Tenho uma colega que é uma besta e que tem para comigo uma conduta tão negativa que tem contribuído para uma relação degradada das condições de trabalho. Ela arma-se em superior, respondendo com combatividade e hostilidade sempre que é alertada para alguma situação, não me dirige a palavra nem para dar os bons dias, arma-se aos cucos e tenta menosprezar-me, chegando até a prejudicar o meu trabalho directamente. A situação é duradoura e de tolerância zero, não comunicamos a não ser no estritamente necessário, por via da necessidade profissional e nada que o patrão não saiba. Já denunciei a situação, constrangedora e geradora de mau estar mas de nada valeu. Não houve intervenção efectiva por quem de direito para repor a normalidade da situação e vejo-me forçada a gramar com esta merda, tentando superar a mesma com uns nervos de aço e uma atitude cagativa adequada. Tenho aguentado esta situação sob pena de um dia me passar da marmita e lhe ir à cara de vez! Costumo dizer que ma maior parte dos casos, once a besta always a besta. Embora o meu seja diferente , como relata a experiência que se segue: Sobre os verdes anos…Sempre fui uma criança solitária (filha única hiper protegida e com deficiência de relações interpessoais até aos 6 anos), com actividades muito individualistas por estar isolada de brincadeiras com outras crianças de igual idade, o que contribuiu para uma fraca integração social. A primeira vez que fui para o jardim escola, pré primária, tinha pois 6 anos. Tive de aprender a desenvolver a minha sociabilidade e interacção com outras crianças e no início não foi nada fácil. Lembro me de que não sabia brincar e que por via disso não tinha amigos, o que por si só é logo o factor x para se ser uma vítima. Fui mordida inúmeras vezes por um miúdo chamado Mário, o que suscitou reuniões com a Direcção e com os pais do puto armado em Pitt Bull. Primeira classe, num dos colégios mais severos de Lisboa, a nível disciplinar, não aumentou nem a minha popularidade com os colegas ou a minha auto estima, nem diminuiu os ataques de bullying por parte dos xicos espertos rufias da época, a não ser em termos físicos. Já não chegava mordida a casa, mas chegava sempre sem muito do material que fazia inveja (dos Estados Unidos, trazido pelo avô ou pelos pais das suas viagens bi-anuais) e que na altura nenhum dos outros miúdos tinha… Roubavam-me tudo porque era parva e deixava, nunca me defendia nem me queixava e depois só chorava em casa. Sempre dependente dos pais, e à espera que estes resolvessem os meus problemas, era extremamente dependente e mimada. Nunca fui materialmente egoísta e gostava inclusive de partilhar o que tinha porque era a única forma de gostarem de mim. Era pouco participativa e muito introvertida, cheguei a ter problemas de aprendizagem na primeira classe. Despertei muito tarde para a convivência social, depois com o passar dos anos lá me adaptei e na quarta classe já era mais respeitada, mas nunca consegui ser espevitada ao ponto de ser admirada pelos pares. Com o início do 5º ano e com a mudança de colégio, consegui adquirir a capacidade de lentamente me ir integrando no grupo dos fixes pelo número de maluqueiras que fazia e no 8º ano deu-se a revolta: eu-euzinha andei a atormentar uma miúda da nossa turma que era uma queque e que usava saias até debaixo do joelho, o que era inaceitável! Os pais dela foram se queixar e eu levei um castigo daqueles! No 9º ano por ajuste de contas com uma miúda que sacou o namorado bonzão de uma do nosso ano, fiz parte de uma comissão de humilhação pública da rapariga. Despejamos-lhe coca cola na cabeça, pusemos lhe papel higiénico e outros enxovalhos. Envergonho me muito disso, mas na altura não se pensa nas coisas, fazemos tudo para sermos fixes e populares, sem medir muito consequências. Sou um caso de vítima que se tornou agressora. Utilizando a arma como instrumento de superação do poder que dantes a subjugava. (Freud explica). No 10º ano nova troca de colégio já tinha aprimorado o meu lado social (ou anti-social) e tinha já muitos amigos, passei a ser popular por ser anti-popular, por fugir do padrão normativo: do contra, rebelde, do grupo dos maus…os maus que são odiados e admirados ao mesmo tempo. Continuei a ser dos maus até aos 25 anos.
Tornei me mazinha mesmo, ao ponto cruel mesmo in a bat-shit crazy twisted way. a fucking little miss world venenosa e triste in a delusional self hurting way. Eu e minha alma gémea. dos 18 aos 25 evoluímos como cobras em cativeiro, alimentadas por diversos factores negativos e impulsos inconscientes.
Refinei o egoísmo e extremei o que havia de pior em mim como o melhor que sabia fazer, potenciando inclusive os comportamentos de risco -absentismo escolar, uso de álcool e drogas, actos de cabrice pura e comportamento delinquente- muito por causa dos conflitos com o agregado familiar e deveras por inconsciência real misturado à grande e à bruta com ego-centrismo, o egoísmo extremado. Penso que sem me aperceber fui concerteza da altura dos píncaros de adolescência até aos anos do declínio muito má para muita gente, e hoje olho para trás e penso nos danos que terei causado a alguma dessas pessoas…Mas eu não o sabia inteligivelmente à data, era muito imatura e ignorante, e estava muito mal, lá no fundo. O exercício persistente e continuado de bullying é revelador de um enorme mal-estar interno. O autor de bullying vê a violência como uma forma de alcançar poder. A única forma de poder. I’ve come a long way from that. Felizmente acordei para o mundo real a tempo e tornei me numa pessoa de que gosto verdadeiramente, que respeita e não magoa os outros, que não os agride e que actualmente às vezes sofre por demais por não o fazer, mas que não pode por ter uma consciência tão grande que açambarca tudo. Onde dantes havia desprezo, agora há consideração, por vezes até a mais. Confuso? A história da minha vida, em resumo, que em fascículos só uma super edição da Planeta AGOSTINI que ninguém vai editar. reflexão psicanalítica : Um gajo é um ser muito complexo… Toda forma, resumindo e baralhando, e voltando a dar, creio que os casos de Bullying (nas escolas públicas ou privadas, is just the same a única distinção é o tipo) são e serão sempre muito elevados. Cada vez mais, numa sociedade de puro consumismo abundante e muito egoísmo social à solta. Em Portugal ainda não se presta, infelizmente, muita atenção a este fenómeno.

Un comentariu:

Lua spunea...

Sabes, és uma grande mulher. Porque para se abrir assim, de tal forma, só se pode ser grande.

Posso dizer que tive sorte de te conhecer mas acho que tinha a mesma sorte se te tivesse conhecido há alguns anos. O que és, é o que és.

Grande e magnífica.

Beijos grandes