luni, octombrie 29, 2007

O ranking das escolas vs a escola da vida

Em resposta à Lua, cujo post me encheu de vontade de devanear pelo assunto... todos nós nos deparamos com dúvidas existenciais do género e eu nem sei por onde começar. Mainly porque este estudo, como já foi dito vale o que vale. E eu poderia ser um case study dessa merda, já que "andei nos tops", ou seja tive o privilégio de andar dos 9 primeiros dos rankings, incluindo o primeiríssimo, posso dizer que seguramente não seria o que sou hoje, em termos de educação de base, de princípios e de valores morais. Mas mais nada. Não me deu mais nada para a escola da vida. Não se reflecte na minha vida de sucesso profissional lol, que é inexistente e patética e que é de resto, o que o estudo pretende fazer crer. No mundo das grandes carreiras, o que conta não é o secundário, mas o canudo tirado na universidade x e a cunha y. Sou apologista de escolas privadas para os primeiros anos de vida de uma criança, ie até ao 7º ano de escolaridade unica e exclusivamente porque acredito que nas escolas ditas públicas a qualidade de ensino é (salvo excepções) sofrível sobretudo por causa dos graves problemas que sabemos existir no sistema de ensino português, mas também sei que é terrivelmente injusto que nem todas as crianças tenham as mesmas oportunidades de formação, porque os filhos dos pais que não possuam possibilidades monetárias pura e simplesmente ficam à mercê da sorte. Se não houver uma concentração de valores e estrutura familiar forte e se a escola como agente socializador priveligiado não cumprir a sua parte, as hipóteses da criança ser um caso de sucesso reduzem-se mais ainda. Falo do binómio formação+ informação. Um e outro devem ser estabelecidos a par e passo. Isto é mesmo assim.Uma verdade pura insofismável.
E depois as dúvidas existenciais: Com base neste estudo a relação directa entre a escola secundária que se atendeu e a realização profissional deveriam ser incontornáveis mas no eu caso não são. Serei eu o fracasso em pessoa? lol. Freud explica? Porque razão mesmo estando nos melhores colégios de Lisboa sempre me senti uma outcast e fora de água? E só once fora desses colégios aprendi o que era o mundo real e duro e feio onde a maior parte das pessoas se encontra?
Porque nunca fui uma beta convicta e cresci entre o xunga e o politicamente incorrecto sempre dentro do esgroviado?
Crescer na redoma pode ser enganador, em conjunto com a tampa hermética da super protecção paternal que uma vez levantada e já em fase adulta se pode transformar num elemento capaz de literalmente to derrail e to get offtrack, como me aconteceu. O mandar tudo para as urtigas, com uma livre vontade que até mete medo...agora olhando para trás.
Uma confusão entre o que nos ensinam porque deve ser e o que é mesmo...
De qualquer maneira agradeço aos meus pais hologramas por me terem podido proporcionar a melhor das educações nos mais excelsos colégios, até porque tenho a certezinha de que se não fosse a educação paga a peso de oiro eu não teria conseguido aperfeiçoar as minhas capacidades humanas no que toca à instrução/ensino e polidez fluida no trato com os outros. É que o meu seio familiar sempre foi um caos, e um deserto de humanismo/afectividade
Acho que uma coisa contrabalançou a outra...
mais dúvidas existenciais:
como é que eu não sou loura cinzentada e não dou só um beijinho e sou super bem, sei lá?
como é que eu não tirei um curso na católica e não estou casada com um cretino dos pullovers daqueles que tem um super carro e uma super casa e que depois deixam crescer a barriga e vivem de fora para dentro e arranjam a amante ou vão às putas ao fim de semana enquanto eu estava a retocar as madeixas e fazer a pedicure?
como é que eu não tenho um daqueles empregos de carreira e daqueles com que as mãmãs sonham e que depois vão gabar às amigas
como é que eu não vou à missa religiosamente e ainda consigo ver freiras / padres à frente sem gesticular asneirolas com os dedos?
Como é que eu não vou a reuniões de antigos alunos nem tenho amigos com nomes de brasão como Bernardo Crispim Sá Cunha Ribeiro Teles e outros que tal, sei lá?
porque tudo isso me cheira a cagalhão. tenho dito.

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